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Chamada nasce de um encontro entre voz e território. Em 2016, na periferia de Lima (Peru), fotografei um senhor que atravessava o morro com um megafone, anunciando o início de uma reunião comunitária em uma pequena igreja local.

A cena é simples e, justamente por isso, potente: um corpo em deslocamento, um gesto repetido, uma voz que corta o morro e reorganiza, por instantes, o modo como o tempo é sentido e compartilhado.

 

A obra pretende expressar a dimensão pública do acontecimento ao invés de apenas documentá-lo: a chamada como dispositivo de encontro, como forma de marcar presença e gerar relação comunitária.

A base dourada funciona como deslocamento simbólico: não como exaltação do poder, mas como insistência na dignidade de uma figura percebida como marginal. Um brilho discreto para aquilo que a cidade costuma deixar em sombra.

Os tons de terra evocam uma condição: a vida comum como chão, como repetição, como desgaste.

Sobre esse campo, a palavra “futuro” aparece sobreposta e reescrita em camadas, como eco e fricção, promessa e ruído. O termo opera como insistência gráfica, quase um sussurro reiterado, indicando que toda chamada é também uma abertura: o desejo de sentido, de continuidade, de direção.

Chamada (60 x 60cm)

R$1.200,00Preço
Quantidade
  • Técnica mista (serigrafia em retícula, tinta acrílica e spray) sobre tela.
    Medidas: 60 x 60cm
    Obra única
    Acompanha certificado de autenticidade

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