No século XVIII, o capitão-general da Capitania de São Paulo escreveu uma carta mencionando uma característica do povo caipira que adentrava e povoava as terras ainda não ocupadas:
Seu estilo de vida pouco ambicioso contrastava com o do industrialista moderno, dos homens de negócios bem-sucedidos. Eles roçavam a terra, mas também se deitavam na rede.
Em uma cultura em que a produtividade é a finalidade última do indivíduo, escolher descansar é um ato de subversão.
Querem ter longas e ininterruptas jornadas de trabalho? Que tenham. Mas que não impeçam de viver no contrafluxo quem assim não deseja.
O descanso é a confissão da nossa limitação. É um protesto contra o ritmo desenfreado da vida. É uma profanação do deus-mercado. É reconhecer que o trabalho importa e deve ser levado a sério — mas não é tudo. É uma recordação de que o ser humano, no fim das contas, é um... ser humano.
Se, para alcançar o tão sonhado sucesso, devemos trabalhar enquanto eles dormem, eu prefiro ser como o caipira — e dormir enquanto eles trabalham.
































